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Volta às aulas: a lição que pode salvar vidas

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​ Todo início de ano letivo traz a mesma cena: mochilas novas, salas cheias, pais ajustando rotinas e escolas organizando o planejamento pedagógico. A escola volta a ser o centro da vida de milhares de crianças. E é justamente nesse momento que uma pergunta precisa ser feita com seriedade: estamos preparados para uma emergência? Pouco se fala sobre isso, mas acidentes acontecem. Engasgos, quedas, crises convulsivas, mal súbito. Situações rápidas, inesperadas, que exigem resposta imediata. Muitas vezes, o que define o desfecho não é a gravidade do ocorrido, mas o que foi feito nos primeiros minutos. Foi a partir dessa realidade que surgiu a Lei Lucas (Lei nº 13.722/2018). A legislação determina que professores e funcionários de instituições de ensino públicas e privadas recebam capacitação em primeiros socorros. A lei leva o nome de Lucas Begalli, uma criança que morreu após se engasgar durante um passeio escolar. A Lei Lucas não pede que educadores se tornem profissionais da saúd...

Quando o silêncio grita mais alto

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Peço licença ao leitor para falar sobre um tema do qual não sou especialista. Não sou psicólogo nem psiquiatra. Ainda assim, me sinto no dever de escrever. Por uma experiência pessoal e por tudo aquilo que vivi ao longo da minha trajetória profissional. Quando se fala em segurança pública, muita gente pensa apenas em crime, viatura e ocorrência. Mas segurança pública vai além disso. Também é cuidar de pessoas. É evitar perdas. É proteger famílias. É agir antes que seja tarde. O suicídio é reconhecido oficialmente como um problema de saúde pública. Ele não acontece de uma hora para outra. Raramente é algo isolado. Na maioria das vezes, está ligado a sofrimento emocional, como depressão, ansiedade, solidão e falta de perspectiva. Como policial, me senti no direito e no dever de falar sobre esse tema por alguns motivos. Porque esse tipo de ocorrência faz parte da realidade da segurança pública. Porque já estive frente a frente com situações que marcaram profundamente. E porque, por ...

Gerenciamento de crise nas escolas: por que a prevenção não pode esperar?

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Proteger a escola começa antes da crise. Começa com prevenção, preparo e responsabilidade. O ataque recente em uma escola na Áustria reacendeu o debate sobre violência em ambientes escolares. Esse é um problema que também tem crescido no Brasil. A realidade é clara: os casos vêm aumentando nos últimos anos, e ignorar esse cenário significa deixar alunos, professores e funcionários vulneráveis. A crise, na maioria das vezes, não começa com a tragédia em si. Ela se constrói aos poucos, a partir de sinais ignorados, bullying persistente, mudanças comportamentais e da falta de estrutura para lidar com riscos reais. Trabalhar com prevenção é, antes de tudo, aprender a identificar esses comportamentos antes que se transformem em ações irreversíveis. Dentro dos treinamentos de gerenciamento de crise, existem protocolos consolidados que auxiliam na identificação de perfis suspeitos, no fortalecimento da proteção do ambiente escolar e, caso o pior aconteça, na adoção de ações que podem pr...

Por que evitar o perigo é a melhor estratégia?

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​ Aqueles que nunca enfrentaram a realidade da violência tendem a considerar outros temas mais importantes do que a prevenção contra o crime. Ostentação, despreocupação, excesso de autoconfiança, orgulho, boêmia e a constante falta de tempo parecem muito relevantes. Isso vale até o momento em que alguém se vê diante do cano de uma arma empunhada por um indivíduo que faz da violência o seu trabalho diário. Mas afinal, estou em perigo? A resposta é simples: depende. O risco é uma questão de grau. Ele aumenta ou diminui conforme a sua atividade, o seu comportamento e o local onde você está. Por isso, a maior estratégia de proteção é a prevenção, e a melhor forma de se proteger é evitar o perigo sempre que possível. Evitar o perigo não significa viver com medo. Significa adotar medidas simples que reduzem as chances de se envolver em situações de risco. Pequenos hábitos fazem diferença, como observar o ambiente ao redor, evitar distrações no celular enquanto caminha pela rua e plane...

Não seja uma vítima participante

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​ A violência está presente em nosso dia a dia e, muitas vezes, sem perceber, colaboramos para que ela aconteça. Pequenas escolhas, comportamentos automáticos e a falta de atenção ao ambiente podem nos tornar mais vulneráveis do que imaginamos. Vale uma reflexão simples: estamos realmente atentos ao que acontece ao nosso redor ? Ou seguimos a rotina no modo automático, facilitando a ação de quem observa e aguarda uma oportunidade? Faça um exercício rápido. Observe as pessoas à sua volta, na rua, no transporte público, no trânsito. Muitos caminham distraídos, com o olhar fixo no celular, usando fones de ouvido em volume alto ou completamente alheios ao ambiente. Para o criminoso, isso não passa despercebido. Ele observa, analisa e espera. O infrator não escolhe ao acaso. Ele busca o mais fácil. Avalia comportamentos, identifica quem está vulnerável, distraído, desconectado da realidade ao redor. Em muitos casos, ele já passou por você, reparou no celular à mostra, na bolsa exposta...